Dados

  • Código: IntBib D01
  • ECTS: 5
  • Área curricular: Interpretação Bíblica
  • Nível: Especializado
  • Ano/Semestre: 1º
  • Precedências obrigatórias: Não aplicável

Descrição de Disciplina

Estudo do conteúdo dos Evangelhos canónicos, com ênfase em questões históricas, interpretações teológicas e aplicações contemporâneas em torno da pessoa e mensagem de Jesus.

Grande Finalidade

A finalidade desta unidade curricular é transmitir o saber necessário à reta interpretação do texto bíblico, e habilitação para a exposição dos princípios e valores do mesmo, no seu contexto e face às problemáticas humanas da atualidade; desenvolver competências metodológicas de leitura que sejam as mais adequadas e relevantes para a interpretação, compreensão e aplicação da mensagem bíblica.

Finalidades

Conhecimentos (SABER):

  • Hermenêutica e exegese: teoria e prática da interpretação
  • Fundamentos históricos da hermenêutica bíblica
  • A tarefa hermenêutica: intenção e sentido; sentido e significado; significado semântico e efeito pragmático; significado e contexto
  • A matriz retórica do código hermenêutico: fundamentos teóricos da hermenêutica na retórica; da retórica à hermenêutica retórica; o modelo interpretativo da hermenêutica retórica.
  • Hermenêutica aplicada: os diferentes géneros literários da Bíblia
  • A tarefa exegética da interpretação: preparação para a exegese; exegese sintática e semântica; exegese retórica e literária.
  • Exercícios de exegese.

Aptidões e capacidades (SABER FAZER)

  • É na pregação ou exposição da Palavra que se reflete e projeta, ou não, “o saber fazer”.
  • Saber pregar não é o mesmo que ser bom orador, que saber pegar num texto como pretexto para depois dizer umas larachas que pouco e nada têm a ver com o texto da santa Palavra de Deus.
  • Saber pregar é “manejar bem a Palavra da Verdade”; “manejar”, digo, e não “manipular” ou “travestir” a Palavra de Deus.
  • Saber pregar é produto natural do labutar constante na interpretação da Palavra pelo exercício exegético da mesma segundo as regras, e conhecendo tudo o que é possível da linguagem humana em termos de gramática, sintaxe, semântica e pragmática, intenção, sentido e propósito do texto que a mensagem se propõe aplicar. E ficamos sempre com a sensação que é possível fazer melhor. Por isso que, subirmos ao púlpito, o fazemos sempre com temor e tremor.

Valores e hábitos (SABER SER/ESTAR)

  • A expressão estoica Εὖ λέγειν: só fala bem quem pensa bem, e só pensa bem quem é bom. A proclamação da Palavra só é boa e dá bons frutos quando: é bíblica, integral e rigorosamente fiel ao texto; quando se pensa e interpreta em  plenitude sob a iluminação do Espírito Santo; quando é transmitida por quem cultiva e bondade e a misericórdia e vive a mesma Palavra; por quem lhe dá voz na unção do mesmo Espírito Santo.
  • Ser e estar na Palavra é viver segundo a Palavra, é digerir bem a Palavra, é exercitar-se tanto no estudo diligente da Palavra que o hábito de a estudar hermenêutica e exegeticamente a fundo se transforma em segunda natureza.

Filosofia Educacional

O professor não pretende meramente transmitir saber, mas sobretudo conduzir os alunos à descoberta do saber, à cultura e prática de competências que progressivamente o habilitem a ler, aprofundar, entender, interpretar, expor e aplicar uma mensagem qualquer do texto bíblico. Partindo de uma teoria geral da interpretação para a leitura inteligível do texto, teoria hermenêutica e prática exegética se cruzam e materialmente concorrem para uma leitura bíblica cada vez mais fecundante. A materialização germinal do código interpretativo resulta da conflagração convergente de um número significativo de abordagens e métodos de leitura que viabiliza a extraordinária aventura de mergulhar no mundo do texto bíblico para dele extrair toda a riqueza semântica da mensagem que também a nós pretende transmitir. E isso significa que a abordagem que se pretende aprofundar no desvendar da verdade bíblica é uma abordagem integrada que resulta da intersecção interativa dos três mundos em que o texto bíblico se encontra imerso: o mundo do autor, que dá sentido ao texto; o mundo do texto, que encarna os padrões de sentido pretendido, contemplados na intenção do autor e por ele veiculados; e o mundo do leitor, que lhe capta o significado, o apropria e aplica.

Reconhecendo que, por mais completa e bem conseguida que seja a exegese de um texto, dificilmente a sua interpretação nos levará a uma compreensão ideal e final, tudo haveremos de fazer mesmo assim para sentir e pensar o texto bíblico como o sentiu e pensou o seu autor original e como o sentiram os seus primeiros leitores.

Por tudo isto, o professor não é um mestre que tudo sabe e ensina, mas o colaborador que interage com os seus alunos investido de humildade intelectual e rigor científico. A sua missão cumpre-se, não tanto no transmitir do saber, mas sobretudo em mobilizar um processo de ensino-aprendizagem que culmine na formação e edificação amadurecida dos seus alunos; na sua capacitação para ler, analisar, estudar, entender e interpretar o texto bíblico, sempre como aprendente e nunca como crítico.

Obras Fundamentais

ALEXANDRE JÚNIOR, Manuel. Exegese do Novo Testamento: Um Guia Básico para o Estudo Bíblico. São Paulo: Edições Vida Nova, 2016. [BibSTB – 225.6 Ale]
ALEXANDRE JÚNIOR, Manuel. Hermenêutica Bíblica. Lisboa: Sociedade Bíblica, 2010. [BibSTB – 220.6 Ale]
ALEXANDRE JÚNIOR. Paulo aos Gálatas: Carta Magna da Identidade Cristã. Lisboa: Cebapes, 2017. [BibSTB – s/c]
GUTHRIE, Donald. Gálatas: Introdução e Comentário, tradução de Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1984, 2011. [BibSTB – R220.7 Cul09]
LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A Carta da Liberdade Cristã. São Paulo: Editorial Hagnos, 2011.
OSBORNE. Grant R., A Espiral Hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009, pp. 41-668. [BibSTB – 220.601 Osb]
STEIN, Robert H. Guia Básico para a Interpretação da Bíblia: interpretando conforme as regras. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. [BibSTB – 220.6 Ste]